Sabe quando você não programou, esperou, controlou nada daquilo porque naquele momento estava ocupada olhando pra outro lado da paisagem?
De repente um clic, um silêncio, uma sirene, e você percebe que tudo o que buscava naquela paisagem ao longe, num instante se revela do outro lado de onde você nem pensava mais em encontrar nada…e então a vida te surpreende…Tudo parece tão banal…e a gente segue ainda perdendo tempo com coisas menores…
Por isso, quero que essa moça faça sucesso, porque o mundo precisa de mais Amor, de mais vida, e ela multiplicou isso na tentativa de permanecer, de doer menos. Lindo vídeo de apresentação, que pude ver em filme na minha vontade:
Mãos estendidas na mesa, lado a lado, meio copo de vinho, uma vela no gargalo da garrafa verde, delicados e deliciosos cheiros da comida, do perfume, da pele, do lugar e do chocolate de depois. Quando fala, olha os lábios dela, e os risos e as palavras revelam que o tempo pára pra eles, enquanto se perdem nas horas pra falar de qualquer coisa, tudo faz sentido.
O mundo gira ao redor, as vozes do fundo competem com os segredos a contar, há uma luz diferente aquecendo aquele espaço-de-nós-dois, mas ninguém percebe…um gole atrás do outro, cumplices saberes, ela se entrega pra os minutos a correr e se preenche de si, inundando de presença esse lugar.
Não querem nada um do outro, a não ser aquele momento. E é tão boa a companhia que o desejo é que o tempo dure mais naquele riso. Ouvir seus silêncios, seus deleites, seus deslizes. Acolher suas manias, seus sentires, suas miradas. Olhar no espelho do outro, com-tato, nada no por-vir e já não precisam de complementos, só ser eu e ser você. Com c-alma, cor-ação. Tudo no seu lugar.
A dupla caminha pela rua: Olha a Lua! Lua cheia! Clarão de Primavera.
Eu estarei lá, sempre que puder, mesmo que saiba que isso não é romance…porque a vida real pede pra ser mais dura que isso, mesmo que o coração discorde totalmente…Em algum lugar bem perto disso, no espaço vazio de entre-atos, na diástole que abre espaço ali dentro, há mais um lugar preenchido: de carinho, de sonhares, de imaginação. E fecha o dia, acalentando a noite de alguém.
“Eu quis te conhecer mas tenho que aceitar…
Caberá ao nosso amor o que há de vir”
Trilha sonora pra os recados que quero lembrar e compartilhar.
Ensinamento precioso da Lama Tsering:
“Amar é querer que o outro seja feliz. Desejar a felicidade do outro ser, transcende aos períodos da vida e ao tempo. A motivação é aquilo que nos movimenta, é o que provoca nossas ações, e amor é a motivação…
…Dizer que amamos mais de uma pessoa, vinte ou trinta, todos os que andam na rua, não é amor, é uma justificativa pra promiscuidade…Isso não está na definição de amor…podemos amar a poucos como amamos nossos filhos, esse amor não espera tanta retribuição, nós realmente queremos que nossos filhos sejam felizes e não estamos buscando preencher essa felicidade só pra preencher uma necessidade nossa…mas podemos escolher o ser que amamos, o objeto do nosso amor, como sendo representante de todos os seres, então podemos pensar: “eu quero que essa mulher/esse homem seja feliz…então a partir disso eu vou trabalhar pela felicidade deste homem/dessa mulher, vou cuidar dele/dela, vou apoiar, tentar trazer felicidade pro outro, e não apenas pra esse ser que eu amo, mas que esse ser seja representante de todos os seres”.
…É possível usarmos um relacionamento pra evoluirmos na prática espiritual, nós não precisamos ser monges ou freiras, mas temos que ser capazes de dar amor, de cuidar pra que o outro seja feliz, isso não significa que devemos maltratar a nós mesmos pela felicidade dos outros mas temos que, com dignidade, dar de forma real e verdadeira o amor pros outros seres…assim rapidamente purificamos nosso egocentrismo e acumulamos mérito e sabedoria.
…Temos que ter cuidado com aquilo que vamos querer em troca do nosso amor…não é esta a forma de amor que devemos ter, os “motivos” limitam nossa capacidade de amar. Será que estamos realmente praticando o amor? Será que eu estou praticando o amor? Será que o que eu faço é amor, ou será que estou querendo obter alguma coisa do outro? Temos que observar o que estamos fazendo…
Por exemplo, quando alguém fica com a mulher do outro, será que ele pensa: “eu vou fazer a mulher do outro feliz? Eu estou querendo que alguém seja feliz…” E o que vai acontecer na verdade é que ele vai acumular a não virtude de perturbar o voto de outra pessoa, de fazer a outra pessoa quebrar o seu voto. Nós criamos carma nos relacionamentos, por isso temos de cuidar dos outros seres, temos que fazer isso de uma forma ampla, muitas vezes não sabemos como causar a felicidade no outro, mas temos que tentar fazer o melhor que pudermos dentro da nossa capacidade limitada, e é por essa razão que olhamos pra nossa motivação, então pensamos no amor e relaxamos nossa mente na experiência do amor, nós não precisamos sair por aí dizendo pro outro que o amamos, colocar um adesivo dizendo “eu amo você”, não é necessário fazer isso, por que isso normalmente é feito quando queremos alguma coisa em troca , nós temos que praticar o amor, e não ficar falando sobre o amor.
Por que o outro deve saber do nosso amor? Quando examinamos o amor, começamos a perceber o quanto somos egocentrados: eu amo alguém por que eu quero que esse alguém me ame, porque quero ser amado…Não é errado dizermos pra alguém que nós o amamos, o errado é esperarmos alguma coisa disso, termos alguma expectativa disso, porque essa expectativa é comum, é ordinária, o verdadeiro amor é o antídoto pro egocentrismo.
Se eu não sou aquele que posso fazer o outro feliz eu pratico pra que o outro ser possa encontrar as condições da felicidade e possa evitar as condições que trazem o sofrimento.”
É por isso que eu não digo nada e tento, a cada prática, encontrar a ação do amor que te traga felicidade, amor!
Fragmentos de mim no meio de uma noite cansada, coração pipocando:
Um dia em que o céu não sabia se abria ou se guardava seus segredos nas nuvens, a sintonia com a dúvida do dia era manter a cebeça no travesseiro pra ver se continuava sonhando aquele sonho tão bom…Mas o despertador insistia em terminar o tempo de soneca, e o juízo chamava pra que ela tomasse banho e acordasse pra mais um dia de desafios e coisas por fazer.
Ela então cumpriu o seu papel de mulher batalhadora e acabou o dia com o saldo de tarefas realizadas. (Essas mulheres hoje são muito competentes, fazem o que lhes cabe e vencem a cada dia uma nova batalha). Mas quem disse que ela queria batalhar? O coração pedia por uma trégua e um braço-abraço pra se aninhar…
Aquela mulher que sempre faz tudo sozinha e que sabe muitas coisas e estuda muito sobre tudo, só precisava compartihar o tempo com alguém que tivesse tempo pra olhar pro outro (pra ela), e que os dois olhassem juntos para a mesma paisagem e sorrissem com a brisa que os instantes trazem e que ninguém pôde perceber porque não tinha tempo de estar com o outro e olhar o céu com calma.
No fim do dia, aquela mulher deitou amando-se um pouco mais e virou pro lado, sentindo um leve abraço por trás -aconchego- fechando os olhos e continuando a sonhar-como de dia.
A cólera e a cegueira do mundo esqueceram de deixar a porta aberta pro Amor;
Trancaram-se no quartinho escuro da sobrevivência e hastearam a bandeira do socorro…em cada gesto, um pedido por amor; no silêncio da noite, as pegadas sofregas de quem cansou de ver a pobreza do mundo e a fome impaciente da carência. O Amor sempre esteve lá, mas eles não podiam enxergar!
“A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca e que, esquivando-nos do sofrimento, perdemos também a felicidade.”Carlos Drummond de Andrade.
“Olha pra mim
Quando estou distraído
E eu faço o mesmo
Pareço longe
Mas estou sempre
A espera do tempo certo
Quando o meu olhar
O seu encontra
A gente se dá conta da verdade
Mas dá uma jeito e disfarça
Com um sorriso de canto
E continua brincando de esconder
O que já se mostrou carinho
Quando o encanto
Se encontrou com nossos olhos” Lindo poema do Saulo !, linda pessoa! E que traduz o que sinto quando meu olhar se encontra com o teu, pairando rápido -assim, assim, olhar atento.