
A água caía sobre os ombros, cabelos escorridos nas costas, pensamento no encontro de ontem:
Um dia comum de trabalho, cansada e com os cabelos presos em coque no alto da cabeça, viu um vulto entrando pelo portão e, como o pensamento anda positivo, só podia ser algum amigo…vai até a porta e dá de cara com…essa pessoa perdida, que chega sem saber que pode encontrá-la, porque sabe que não é bem vinda…e o que sai é um sorriso! (Um sorriso???) Percebeu o sorriso expontâneo, virou de costas: não, não poderia ter sorrido pra essa pessoa!
Voltando a água que escorre fria pelo rosto, de olhos fechados, passa a mão pelos cabelos molhados e sorri…a partir daquele momento viu-se livre das má-águas que retia no corpo…aquela pessoa estava tão perdida quanto ela ficou desde que o voto foi quebrado. A diferença é que hoje ela estava plena de si, acariciava seu corpo como quem sabe que todas as experiências foram passadas com amor próprio alimentado, e que a reconstrução estava alicerçada em base firme!
Quando ele se foi, sem mais, a falta que ela sentiu foi de si mesma. Então, depois de tanto tempo, ela percebe que nada mais importa, que as pessoas se atrapalham e (com certeza) um dia perceberam que o tempo passou e que aquilo não valeu a pena, semeou sofrer e colheu frutos podres. Mais que isso, ela pôde olhar a si mesma com carinho e generosidade, agradeceu por ter sorrido pr’aquilo tudo e pediu pra que esse ser se livre da tormenta.
O coração suspira aliviado: passou! Chegou o momento em que a página virou e que a história tomou outro rumo: de mais amor, compaixão, alegria, equanimidade, generosidade, paz, energia constante, moralidade, concentração e sabedoria. Essa prática fez toda a diferença! Ela fechou a torneira, sentiu o corpo mais leve, olhou no espelho e não viu mais aquele olhar apagado que ela acostumou a ver enquanto ele estava por perto (e achava normal). Viu a luz brilhar de novo, abriu a porta do coração e saiu pra ver o sol!
(E havia flores perfumadas por todos os lados)
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